Existem no Brasil, hoje, cerca de 90 mil famílias do MST acampadas. São aproximadamente 400 mil pessoas, vivendo em 875 acampamentos, distribuídos em 23 Estados e no Distrito Federal, num total de mais de 1.200 municípios.
Os acampamentos são formados por famílias de camponeses que vivem como trabalhadores rurais, arrendatários, bóias-frias ou meeiros e recebem os salários mais baixos da sociedade brasileira. Essas famílias sonham com a própria terra para plantar. Acreditam que a terra deve ser daqueles que trabalham nela, não dos que fazem reserva de patrimônio, especulação imobiliária ou produzem para exportação.
Entre os acampados, há também famílias pobres que se viram obrigadas a deixar o meio rural em busca de oportunidades na cidade, mas que agora querem retornar ao campo. Entram no Movimento porque enxergam na organização dos trabalhadores rurais uma alternativa para a conquista da terra. Querem melhorar sua condição de vida, ter casa, horta para trabalhar, educação para os filhos e garantia de saúde e lazer para a família.
Nos acampamentos montados em beiras de estradas ou em áreas abandonadas, essas famílias enfrentam todo o tipo de dificuldade, para morar, dormir, descansar e comer. No entanto, encontram refúgio na organização coletiva de uma comunidade para juntos superarem os problemas. E é a perspectiva de conseguir a terra, por meio de um programa de Reforma Agrária que as fazem persitir.
Sem ocupação não há reforma agrária
A determinação dessas famílias é fundamental para efetivar a Reforma Agrária. Cerca de 80% das desapropriações foram realizadas por conta das ocupações nos últimos 10 anos.
As ocupações de terras acontecem desde o tempo o Brasil Colônia e são o principal instrumento dos trabalhadores rurais para fazer cumprir o artigo 5º da Constituição de 1988, que determina que a propriedade deve atender a sua função social.
A reação às ocupações depende sempre da conjuntura da questão agrária, da truculência dos fazendeiros e da posição dos governos estaduais. Em Estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, os governadores têm uma posição bastante conservadora em relação à questão agrária e aos movimentos. Em Estados como Paraná, Pernambuco e Pará, os fazendeiros são extremamente violentos e organizam grupos armados de pistoleiros contra os sem-terra.
(do documento MST- Lutas e Conquistas – 2ª edição, janeiro de 2010)
