Luta do MST por educação e cidadania

A democratização do conhecimento é considerada tão importante quanto a Reforma Agrária no processo de consolidação da democracia. Além dos acampamentos à beira de estradas, das ocupações de terra e de marchas contra o latifúndio, o MST luta, desde 1984, pelo acesso à educação pública, gratuita e de qualidade em todos os níveis, para as crianças, jovens e adultos de acampamentos e assentamentos.

Os esforços do movimento nessa área buscam, sobretudo, alfabetizar os adultos e conquistar condições reais para que todas as crianças e adolescentes estejam na escola. Para isso, capacita e habilita professores para atender as necessidades dos estudantes, garantindo, assim, o cumprimento ao artigo 6 da Constituição, que declara que a educação faz parte dos direitos sociais.

O trabalho de educação no MST está organizado em todo o país em várias áreas do conhecimento.

Nos 25 anos de história do MST, 2.250 escolas públicas foram montadas nos acampamentos e assentamentos de todo país. Desse total, 1,8 mil, até a 4ª série; 400, até o Ensino Fundamental completo; e 50, para o Ensino Médio.

Hoje, aproximadamente 300 mil sem terra, entre crianças e adolescentes e adultos, estão estudando. Cerca de 120 mil, frequentam escolas públicas. Mais de 350 mil integrantes do MST já se formaram em cursos de alfabetização, ensino fundamental, médio, superior e técnicos.

Pelo menos 4 mil professores foram formados no Movimento e em torno de 10 mil, atuam nas escolas em acampamentos e assentamentos. Mais de 100 mil Sem Terra foram alfabetizados. Uma média de 28 mil educandos e 2 mil professores, por ano, participam de processos de alfabetização.

Parcerias com universidades públicas possibilitam que trabalhadores e trabalhadoras rurais do MST estudem em 50 instituições de ensino. Há, aproximadamente, 100 turmas de cursos formais e mais de 5 mil educandos nessas instituições. São cursos técnicos de nível médio (como Administração de Cooperativas, Saúde Comunitária, Magistério e Agroecologia), cursos superiores e especializações (Pedagogia, Letras, Licenciatura em Educação do Campo, Ciências Agrárias, Agronomia, Veterinária, Direito, Geografia, História etc).

Do desafio de garantir educação do campo, principalmente durante as lutas, surgiram outras inovações importantes, como as Escolas Itinerantes, que se deslocam junto com os acampamentos e não têm localidade fixa. Esse esquema envolve atualmente 32 escolas, 277 educadores e 2.984 educandos.

As Escolas Itinerantes já foram aprovadas legalmente e reconhecidas pelo Conselho Estadual de Educação no Rio Grande do Sul, – onde sofrem, atualmente, uma grande perseguição política – Santa Catarina, Paraná, Goiás, Alagoas, Pernambuco e Piauí.

Atividades, encontros e cursos de capacitação em agroecologia já foram realizados e continuam em andamento, na perspectiva de aprofundamento e troca de novas técnicas agrícolas que não agridem o meio ambiente e produzem alimentos de melhor qualidade para os consumidores.

Entre outras iniciativas, destaca-se o Curso de Economia para da Agricultura, que capacitou 97 pessoas em 2006 e 2007; o Encontro Nacional sobre Meio Ambiente, que qualificou 330 camponeses e camponesas em 2006 e 2007; Encontro Nacional de Agroecologia, com a participação de 74 pessoas;  Curso de Tecnólogo em Agroecologia que, em 2008, capacitou 51 educandos.

Os integrantes do MST também frequentam cursos em instituições de ensino superior no exterior. Uma parceria com o governo de Cuba possibilitou que 46 Sem Terra se tornassem médicos. Outros 80 estão estudando. Na Venezuela, 30 estudantes fazem um curso de capacitação para Agroecologia.

Além disso, desde 1981, o MST publica o Jornal Sem Terra. Com tiragem de 20 mil exemplares, ele é distribuído em todas as regiões onde há acampamentos e assentamentos. O jornal é uma importante fonte de informação e leitura dos Sem Terra.

O Movimento tem também 38 grupos teatrais em todo o Brasil, que fazem parte da Brigada Nacional Patativa do Assaré. O trabalho começou em 2001 em parceria com o Centro de Teatro do Oprimido, com o diretor de teatro Augusto Boal. Um dos momentos mais importantes dos atores e atrizes do movimento foi a apresentação, em 2005, do grupo “Filhos da Mãe… Terra” no Teatro de Arena Eugênio Kusnet, em São Paulo.

No último período, o Movimento tem buscado fazer um trabalho especial com a juventude, que precisa estudar, trocar experiências e se qualificar para atuar nos assentamentos para garantir sua permanência no campo.

Em 2007, foi realizado um seminário da juventude com 150 jovens das cinco regiões do país. Em 2008, mais de 800 jovens, de 20 estados, participaram de um encontro na Universidade Federal Fluminense, no qual debateram o papel da juventude na luta pela Reforma Agrária e para o desenvolvimento com justiça social nas áreas rurais.

(do documento MST- Lutas e Conquistas – 2ª edição, janeiro de 2010)